A nova Riachuelo: a estratégia entre a tecnologia, o lifestyle e a aposta de R$ 4 bi
A Riachuelo (RIAA3) está em plena transformação. Em um momento em que o varejo físico é frequentemente questionado pela ascensão do e-commerce e pela concorrência agressiva de players internacionais, a gigante brasileira decidiu dobrar a aposta no “tijolo”. A estratégia não é apenas abrir portas, mas redefinir o papel da loja física como um hub de experiência, tecnologia e, acima de tudo, conexão com o consumidor brasileiro.
O plano é ambicioso: um ciclo de investimentos que soma entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, destinados à reforma de todo o seu parque de 350 lojas e à abertura de 150 a 200 novas unidades nos próximos anos. Somado a isso, mais R$ 500 milhões estão sendo alocados em logística.
Nas próximas semanas, a Riachuelo deve abrir mais 14 lojas e reformar outras sete — a primeira da fila é a de Ipanema, no Rio de Janeiro. Todas seguirão este novo conceito batizado de ‘Incrivelmente Brasil’, que será levado, gradualmente, para todas as 300 unidades.
“A modernização e a reforma das nossas lojas funciona independente do cenário macro. E nós temos apostado nisso como uma alavanca para nos proteger em eventuais cenários de recessão”, afirma André Farber, CEO da empresa. O resultado, até agora, valida a tese: a companhia acumula 12 trimestres consecutivos de crescimento, revertendo um prejuízo de R$ 200 milhões em 2022 para um lucro de R$ 500 milhões em 2025.

O laboratório da Oscar Freire
A nova flagship na Oscar Freire, em São Paulo, é a vitrine desse novo momento. Com 416m², a loja é um modelo inédito na rede, desenhado para ser um “laboratório” de experiências. O espaço conta com self-checkout, provadores inteligentes, um listening bar de vinil e o “Closet Friends” — um provador ampliado para criadores de conteúdo e grupos de amigos.
Cathyelle Schroeder, CMO da companhia, explica que, embora o digital seja um canal muito importante, houve uma retomada na busca do varejo físico após a pandemia. “Observamos um aumento no tempo de permanência em shoppings, por exemplo. Entendemos que as pessoas não querem apenas espaços físicos, querem espaços diferentes”, avalia.
A curadoria de produtos também mudou. A marca lançou seu primeiro modelo store-in-store com a linha “D-Ultra”, focada em básicos com tecnologia (como peças iron-free, anti-odor e waterproof), com ticket médio um pouco acima do restante loja, mas preços relativamente baixos na comparação com concorrentes na categoria.
A estratégia da empresa, no caso, é entregar atributos de valor que antes eram restritos a marcas premium ou importadas, mas a preços acessíveis. “O consumidor abraçou. A taxa de recompra dessa linha é altíssima”, diz a executiva.
Fonte: InfoMoney



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